FORMA/RS FORMA/RS promove a Oficina de Segurança Alimentar e Nutricional em meio a crise ambiental.
Para ler a Carta relativa ao evento:

CONSELHO NACIONAL DE IYALORIXÁ E EKED’S NEGRAS
CENTRO MEMORIAL DE MATRIZ AFRICANA 13 DE AGOSTO FORUM ESTADUAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DO POVO DE TERREIRO – FORMA/RS

  CARTA DO POVO DE TERREIRO
AO FORUM SOCIAL TEMÁTICO DE 2012

Dialogar contra a  intolerância religiosa hoje, reafirma que tal preposição, só se dá, pelo racismo estrutural vigente e enraizado na história de nossa sociedade.
Torna-se necessário salientarmos que negros, brancos pobres historicamente explorados e marginalizadas pela sociedade capitalista, machista, racista e homofobia, materializam  outros instrumentos nefasto  discriminatório ao Povo de Terreiro, concebendo enquanto seu patrimônio Histórico , Cultural e  Imaterial. A Religiosidade enquanto identidade deste Povo, no seu espaço de luta e resistência. Nesta perspectiva,  os  elementos da perseguição aberta deflagrada pelo sistema, buscam fomentar a desigualdade, em uma estratégia política, contra os fundamentos da concepção de mundo africano imposto pela força do poder instituindo o preconceito racial, social e cultural.
A constituição de valores civilizatórios de identidade  cultural, Político e social, são elementos fundantes do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Povo de Comunidade Tradicional de Matriz Africana. O que percebemos com nitidez frente a atual conjuntura é a necessidade de um debate que conceba a diversidade cultural/ambiental na construção de políticas publicas, ambientais e institucionais, bem como na legislação com transversalidade étnico/racial. Visando a proteção do patrimônio material e imaterial do povo de terreiro.
Toda ou quase toda humanidade, tem conhecimento de um fenômeno humano chamado Fé, o qual  coloca-nos em grupos ideológicos iguais, conhecido como religião. Re-ligare originada do latim, ligar o corpo físico ao divino (imaterial), que se difundem entre os povos assumindo formas, métodos e expressões que caracterizam os seguimentos religiosos.
Vejamos com um olhar despido de pré-conceito e discriminação racial ou social, os rituais da Visão de Mundo Africano, reconhecimento do Orixá, que tem como tradição milenar o ato de agradecer, oferecer(ofertar).  Momento de dialogo do ser humano com as energias emanadas pela natureza. Oferendas produzidas com sensibilidade e a sabedoria natural reproduzida de geração em geração, como uma troca de energia que vem das águas, terra, ar, matas, rochas. Portanto com o meio ambiente.
Com o passar dos tempos, com a modernidade e o  avanço da tecnologia social inicia-se gradativamente a mudança de método do natural com a natureza e as folhas sagradas são substituídas por bandejas de papelão, papel celofone, papel seda, plásticos e outros.
Temos que entender que esta sociedade tecnológica se afasta do contato com a natureza e já que são tantos os fatores sintéticos,  não precisamos usar no cerimonial estes recursos industrializados, porque  o contato com natural nos fortalece diante da lamentável degradação do meio em que vivemos.
Tomamos conhecimento das energias que nos mantém vivos, num dialogo profundo e amplo com  o Povo de Terreiro. Este Povos foram os primeiros ecologistas, caracterizando patrimônio material e imaterial com as águas doces ( Oxum ). O mar (Iemanjá) as matas e as folhas ( Ossaim, Ode, Oba, ).Os metais de Ogum, as rochas(Xangô), os ventos de Oya, são todas energias naturais, as quais não devem ser ofuscadas por produtos industrializados, para agradar e fomentar o consumo e o enriquecimento de um comercio de alto preço, que pelo modismo e descomprometido com as raízes desta cultura.
Encerrando este capítulo do dialogo, revendo o meio ambiente, vamos pensar no tempo  que:

- Saúde vinha da terra;
- Os nossos velhos eram amados, hoje aonde estão?
- No lugar da violência, existia o respeito: respeito pela criança, pelo jovem, pela terra, pelas águas, pelas matas;... pela vida;
- Olhava-se para as estrelas e contávamos as fases da lua, como observávamos a sua interferência em nossas vidas e atitudes;
- Acordávamos com a luz do sol, para sentir seu calor;
- Tomávamos banho nas águas da chuva;
- O transporte não poluía o ar com a combustão de gases; nosso ar era habitado por aves , já que era seu habitat, hoje o transporte aéreo o polui;
- Os translados marítimos eram feitos em pela energia das velas, que não envenenavam os peixes;
- A reprodução dos rebanhos era natural, hoje é clonada, e com inseminação artificial ferindo a natureza animal;

Toda esta reflexão não significa retrocesso, ou retorno ao passado, mas sim criar métodos  tecnológicos de controle destes poluentes que ameaçam e agridem a natureza e encurtam nossas vidas.
O Povo Tradicional de Terreiro, o qual é historicamente  discriminado tem um olhar diferenciado, portanto é fundamental que nas cidades se crie uma consciência da importância deste equilíbrio. A nossa  proposta de mudança é um projeto comprometido com a Natureza em harmonia com  estas questões de fé, cultura e liberdade de expressão. Usando uma tecnologia que respeite a Vida. Entretanto na atual conjuntura o que vemos é a necessidade de uma Política Pública Afirmativa, permanente que permita  fortificar com respeito e dignidade, estas parcelas da sociedade com seus direitos de cidadão.
O poder público é ciente de que todo ano  que se inicia, percebe-se a necessidade de mudanças urgentes, devido  as grandes alterações climáticas, causada pelo aquecimento global e efeito estufa. Trazendo tragédias e destruição, deixando um respaldo de dor e desamparo ao ser humano, colocando milhares de pessoas em situação sub humana, como resultado deste processo que é assistencialista; Com políticas imediatistas e não de reparação concreta.
É  importante frisar que em nome da tradição e do olhar lúdico como é visto o momento e o espaço,
usado nas oferendas (Rios, Mares e Matas...) transformá-los em área de interesse cultural, será uma política pública de reparação, ao povo das religiões afro brasileiras e aos Seguidores da Visão Civilizatório de Mundo Africano, que expressão seu amor a Natureza, no seu conceito de Fé.
Locais consagrados como passar dos tempo.
Com a certeza de que criticar e não propor, não soma num processo de construção, reinvidicamos esta reflexão.

   Iyá Vera Soares                        Bàbá Marcelo D’Ogum
Coordenação Geral                    Secretaria Executiva
Jornal Grande Axé
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